segunda-feira, 5 de abril de 2010

AMOR ÀS AVESSAS


Segundo romance escrito por Diedra Roiz. Postado pela primeira vez em Janeiro e Fevereiro de 2008.




AMOR ÀS AVESSAS
Em breve em versão impressa!
Revisado, revisto, com ilustrações e cenas inéditas!

Para saber mais acesse:
http://www.editoradiversa.com.br/conheca-a-colecao-arco-iris/





PLÁGIO É CRIME! NÃO COPIE, CRIE!  
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Lembrando que... Copiar a história apenas trocando o nome das personagens não é fanfiction nem adaptação, é plágio. Por favor, não façam isso, ok?




SINOPSE:
O ódio poderia ser tudo o que havia entre Mel e Dani. Poderia, caso o ódio não fosse apenas uma cortina de fumaça ao intenso amor que as unia, ainda que contra a vontade de ambas. O grande desafio para este amor, é conciliar as diferenças destas personalidades tão díspares. 


MÚSICA QUE INSPIROU A HISTÓRIA:
 

Capítulo 1 - Um Desafeto Antigo



- Ah, não, Raq, que mal eu fiz pra vocês?
 

Raquel controlou a vontade de rir da reação da amiga, que quase derramou o chope todo na mesa.
 

- Nossa, Dani, também não é assim, né? Já faz séculos!
 

- É assim, sim! Eu nunca suportei essa garota! Esqueceu o que ela fez comigo? Tem noção do que é entrar no colégio no meio do ano, sem conhecer ninguém, e ainda ter uma patricinha fazendo campanha contra você? Por um acaso só porque você e a Deca tão namorando, eu tenho que aguentar ela?
 

Para falar a verdade, Dani ainda não conseguia entender como é que Raquel e Andréia, que se conheciam desde o segundo grau, depois de mais de dez anos sem se ver tinham se esbarrado numa festa e de repente, do nada, ficado tão loucamente apaixonadas a ponto de começarem um daqueles namoros bem grudentos, onde nunca se vê uma sem a outra.
 

Até estranhou quando a amiga marcou de sair sozinha com ela. Agora estava começando a entender...
 

- A Mel é a melhor amiga da Deca, você tá careca de saber. Por favor, amiga, sem você essa viagem não vai ser a mesma coisa... Além disso, a Deca convidou uma amiga dela super gata, a Paulinha.
 

Tinham combinado passar o Reveillon na casa da Deca em Itaipava. Depois de uma exaustiva e muito pouco lucrativa temporada de três meses em cartaz com o último espetáculo que tinha feito, Dani estava precisando muito espairecer. Além disso, não ia perder a chance de conferir pessoalmente o quanto a tal Paulinha era gata.
 

- Tudo bem... Mas você fica me devendo uma!
 

***

- Eu não vou. Não vou e não vou mesmo!
 

Mel continuou balançando a cabeça dizendo não mesmo depois de terminar a frase. Parou por um momento, levou a mão inconscientemente ao nariz e logo depois voltou a mover negativamente a cabeça.
 

- Que bobagem, Mel, porque não?
 

- Porque não? Ai, Deca, porque essa menina quebrou o meu nariz, esqueceu?
 

- Isso já faz muito tempo...
 

- Não interessa!
 

- Além disso, se você não tivesse pichado "Fora, Dani, odiamos você!" em todos os banheiros, provavelmente ela não te acertaria com a bola de handball, né?
 

Esse episódio, sem dúvida o pior e mais dramático de toda a vida de Mel, ela queria esquecer. A professora de educação física tinha declarado que "Daniele não tinha culpa, foi um acidente, podia acontecer com qualquer um", mas Mel sabia perfeitamente que não tinha sido acidente coisíssima nenhuma. Estava ali parada, defendendo o gol, e Dani tinha mirado e atirado a bola com toda força e de propósito em seu nariz, sim!
 

Achava ótimo Deca estar namorando Raquel, que sempre tinha sido uma fofa, mas infelizmente tinha o mau gosto de ter como melhor amiga aquela insuportável, quebradora de narizes...
 

- Mas então, Mel? Vamos, por favor... Além disso, a Raq também convidou uma outra amiga dela, a Bia, super legal, bem o seu tipo...
 

Mel pensou nos prós e nos contras. Já tinha combinado tudo com PH, seu primo preferido e quase irmão. Ele levaria João, seu mais novo namorado. Mel não tinha como deixar de ir. Além disso, quem sabe a tal Bia valia a pena?
 

- Tudo bem. Por você eu faço o sacrifício.

Capítulo 2 - Aquela que se Faz Esperar



- Gente, é o fim da picada! Quanto tempo vamos esperar por essa menina?
Parecia brincadeira. Estavam ela, PH, Pedro, Bia, Paulinha, Deca e Raq, todos plantados em frente à casa de Deca esperando Dani há mais de 45 minutos.
Apesar de Mel ser o tipo da pessoa que nunca chegava atrasada, estava acostumada com o fato de a maioria das pessoas não ser pontual.
Mas atraso era coisa de 10 minutos, 15 no máximo... Um atraso como esse - e ela nunca tinha visto coisa igual - de mais de 45 minutos, era uma falta total de consideração e de respeito!
Foi quando a viu atravessando a rua.
Existem pessoas que têm presença. Uma energia, um brilho sem explicação. Basta entrarem em um ambiente para todos os olhares se voltarem para elas. Assim era Daniele.
Usava uma faixa colorida nos cabelos pretos muito lisos, calça jeans de cintura baixa com rasgos estratégicos, camisetinha preta justíssima e tênis All Star. Esbanjou charme e simpatia enquanto dizia:
- Desculpa, gente... Tudo acontece em Elizabeth Town... Meu despertador não tocou, daí tive que fazer minha mala correndo e pra completar o ônibus não passava, fiquei mais de 20 minutos no ponto...
Mas o encantamento dela nunca tinha surtido efeito em Mel:
- Sorte sua, Daniele, porque nós estamos aqui te esperando há mais de 45 minutos.
Dani olhou para a figura de cabelos dourados volumosos muito bem tratados, óculos escuros, blusinha, calça corsário e salto alto... Abusivamente linda... E totalmente intragável...
- Oi pra você também, Melissa...
Uma das coisas que Mel mais detestava era que a chamassem pelo nome. Rapidamente, prevendo o desastre iminente, Deca e Raq interferiram:
- Dani, essa aqui é a Paulinha.
Raq não tinha exagerado. Paulinha era uma morena de cabelo preto escorrido, corpão de parar o trânsito e um sorriso lindo... Dani presenteou-a com seu sorriso mais sedutor, fazendo Paulinha se derreter:
- Oi...
- Oi...
- Bom, esse é o PH, primo da Mel. O João, namorado do PH. A Bia e a Mel você já conhece.
- Oi Bia!
- Oi, Dani.
Não cumprimentou Mel acintosamente, e o clima voltou a ficar pesado. Deca suspirou, olhou para Raq, e as duas sabiam que estavam pensando a mesma coisa: "Esse reveillon não vai ser fácil...", e disse:
- Gente, vamos indo?
Entraram Dani, Bia e Raq no carro de Deca. Paulinha, PH e João no carro de Mel, e partiram.

Capítulo 3 - Fogo Cruzado



A casa era maravilhosa. A cozinha era imensa, na sala tinha uma verdadeira videoteca, no salão de jogos mesa de pingue-pongue, totó e sinuca e do lado de fora, duas redes, uma churrasqueira e a piscina.
Chegando no segundo andar, dividiram os quatro quartos da seguinte forma: Deca e Raq - lógico! PH e João, óbvio também, Dani e Paulinha, Mel e Bia, para evitar confusão e também na intenção de rolar alguma coisa entre elas.
Depois do almoço, foram assistir a um filme. PH e João queriam ver "Minha vida em cor de rosa", mas foram voto vencido. Escolheram "Imagine eu e você", que todas já tinham visto, mas tão fofo que ninguém cansava de ver.
Os meninos acabaram resolvendo ir namorar na rede. Deca e Raq sentaram juntas na mesma poltrona, Raq no colo de Deca, deixando claro que não pretendiam assistir muita coisa do filme. Paulinha puxou Dani para um dos sofás, e conseguiu prender a atenção dela cruzando e descruzando as maravilhosas pernas morenas. Enquanto isso, no outro sofá, Mel e Bia conversavam baixinho, num clima de flerte bem olho no olho...
O filme foi passando sem problemas, até que Mel comentou sobre uma das personagens:
- Essa "Luce" é uma coisa, hein?
- O nome da atriz é Lena Headey.
Dani respondeu, com um sorrisinho irônico. Mel respirou fundo e contou até dez para não começar uma discussão.
Então veio a tão esperada cena do beijo. Todas concordavam que a cena era maravilhosa, e Dani acrescentou, da forma carismática de sempre:
- Essa cena é perfeita! Quando ela vira e a outra entra pela porta e mãos e bocas se encaixam direto... Nossa! O tempo das atrizes, a sincronia delas... É perfeito!
Dessa vez Mel não aguentou:
- Uma cena linda dessas e a outra me faz um discurso técnico sobre o tempo e a sincronia das atrizes... Realmente...
Foi o bastante para começarem uma discussão sem fim. Ninguém mais conseguiu ver o filme e o barulho foi tão grande que até os meninos voltaram:
- Meninas, que é isso? Por favor...
- É essa idiota! - Mel e Dani falaram juntinhas.
PH e João saíram, seguidos por Bia e Paulinha. Deca já estava sem paciência:
- Olha só, vocês vão ficar estragando a diversão de todo mundo o tempo inteiro, é?
- Fala isso pra ela! - Mel e Dani falando juntas novamente.
Raq puxou Dani para um canto. Deca fez o mesmo com Mel.
- Dani, fala sério... Parece que você tá mais interessada em brigar com a Mel do que ficar com a Paulinha...
- Tá louca, Raq? Ela é que fica me provocando o tempo inteiro.
- Sei. Você, é uma santa... Quem não te conhece que te compre... Falando nisso, vamos procurar a Paulinha.

- Que é isso, Mel? Desde quando você é barraqueira, amiga?
- Essa menina me tira do sério!
- Não sei não... Se eu não te conhecesse bem ia até pensar que essa tensão entre vocês é outra coisa...
- Nem que ela fosse a última mulher na face da terra, Deca! E quer saber? Vamos ver onde tá a Bia...

Quando chegaram lá fora, descobriram que Paulinha e Bia tinham saído, declarando que: "Já que Mel e Dani não tinham olhos pra mais ninguém, iam dar uma volta sozinhas".
PH desafiou as meninas para jogar sinuca, mas ninguém queria. Então implicou:
- Vamos lá, gente, é o jogo de vocês!
- Comentário ridículo! - disse Mel.
- Pronto, a princesa já ficou ofendida... - Dani não perdeu a chance.
Antes que começassem mais uma briga, Raq disse, de uma forma nada amigável:
- Chega, né? Todo mundo já tá de saco cheio dessa briguinha de vocês. Vamos pra piscina?

Mel foi a última a chegar na piscina. Quando apareceu, Dani ficou feliz por estar de óculos escuros, porque não conseguia tirar os olhos dela.
Era insuportável, mas que corpinho!
Que pensamento era esse? Estava mesmo precisando se acertar com a Paulinha... Mas enquanto ela não voltava, o único jeito era entrar na água fria...

Mel escolheu a cadeira mais longe de Dani possível. PH e João logo se sentaram ao lado dela.
- Prima, pena que você e a Dani não se topam, né? Porque até eu sou obrigado a dizer que ela não é de se jogar fora...
Enquanto passava filtro solar, Mel deu uma olhada disfarçada para Dani. Ela estava saindo da piscina, a água escorrendo pelo corpo bem definido, com tudo no lugar certo... Isso sem contar a aura de sensualidade que a envolvia...
Nesse instante Dani a olhou, e percebendo o olhar dela, piscou provocando. Mel desviou os olhos, se achando louca de estar achando a outra atraente.
"Nem que fosse a última mulher da face da terra!" - reafirmou como se precisasse se convencer.
E falou para o primo com um sorriso sarcástico, alto o bastante para Dani ouvir:
- Que adianta a embalagem ser bonita se por dentro vem vazia?

Definitivamente, nunca tinha encontrado alguém tão insuportável na vida!
Dani resolveu fingir que não tinha escutado a última provocação de Mel. Respirou fundo e contou até cinquenta, só até dez não seria suficiente...
Raq e Deca já estavam chateadas, e não ia mais dar o gostinho de permitir que a outra a tirasse do sério. Prometeu a si mesma que dali para frente, ia fingir que Mel não existia.
Nesse exato momento, Paulinha e Bia voltaram, de mãos dadas e parecendo muito mais íntimas do que quando tinham saído.
Bia chamou Dani num canto:
- Olha só, amiga, eu sei que você tava interessada na Paulinha, mas rolou um clima entre a gente, nós ficamos, e... Bem, acho que eu tô apaixonada!
- Assim, do nada?
- Você me desculpa? Não fica chateada comigo?
- Ai, Bia, claro que não. Até parece que não me conhece...
- Só que tem uma outra coisinha, amiga...
- Quando você começa com essa história de amiga pra cá, amiga pra lá, já sei que vem bomba! Fala logo! O que é?
- É que eu e ela queremos... Ah, você sabe... Dormir juntinhas...
- Você quer que eu durma aonde? No quarto daquela patricinha infame?
- Ai, por favor, miguxa, não seja tão melodramática... Quebra esse galho pra mim... Por favor, vai...
Bia já tinha ajudado Dani em momentos muito piores do que aquele. Não tinha como dizer não.
- Tá, tudo bem.
Bia deu um abraço tão apertado nela que quase a sufocou.

- Ai, Mel, por favor!
- Paulinha, você fica com a menina que eu tava a fim e ainda quer que eu divida o quarto com a insuportável da Dani?
- Por favor! Pela nossa amizade, vai... Eu juro que tô apaixonada, Mel... Me dá essa força, por favor...
Mel tinha um coração de manteiga derretida com as amigas. Simplesmente não conseguia dizer não. E Paulinha sabia muito bem disso.
- Tá bom. Você sabe que não consigo dizer não...
Recebeu de Paulinha um abraço de quebrar os ossos.

Capítulo 4 - Mulheres à Beira de Um Ataque de Nervos



De noite, resolveram sair. Como Paulinha e Bia não se largavam mais, Dani foi obrigada a ir no carro da Mel. PH e João sentaram no banco de trás, e ela não teve escolha: sentou no banco do carona, ao lado dela.
Quando estava colocando o cinto de segurança, teve o pensamento mais bizarro do mundo: que estava sentada ali como se fosse namorada dela. Mais bizarro ainda foi o pulo que deu quando a mão de Mel acidentalmente encostou em sua perna quando passou a marcha. Definitivamente, estava com libido em excesso.

Mel estava tão concentrada em não perder o carro de Deca de vista, que acabou roçando a mão na perna de Dani. Levou um susto com a reação da outra, que praticamente deu um salto.
Não estava acostumada a causar uma repulsa tão grande em alguém. Menos acostumada ainda estava a se arrepiar daquele jeito com um contato tão breve e simples. Felizmente, logo chegaram, pondo fim àquele suplício.

Era um ambiente muito charmoso. Rústico, de madeira, pouco iluminado, ideal para casais apaixonados, que, diga-se de passagem, era o que não faltava naquela mesa... Pediram duas pizzas grandes logo de cara. Raq falou baixinho para Dani:
- Não olha agora, mas aquela mulher no canto, que não desgruda os olhos de você... Não é a Fabiana?
Fabiana era uma loira com quem Dani tinha ficado duas vezes. A primeira levada pela bebida. A segunda porque Fabiana insistiu muito. Nas duas vezes tinha se arrependido. Daquela ali, Dani só queria uma coisa: distância...

Mel percebeu quando Raq sussurrou alguma coisa para Dani. Olhou na direção que elas olharam e viu uma loira de tirar o fôlego que olhava para Dani fixamente.
A conversa fluiu animada enquanto bebiam e comiam. De vez em quando, os olhos de Mel cruzavam com os de Dani. Quando isso acontecia, ambas desviavam o olhar rapidamente.
Mas aos poucos, conforme iam bebendo, Mel começou a ter a impressão que os olhos das duas se encontravam com mais e mais frequência. E o pior: estava longe de não estar gostando... De duas uma: ou tinha bebido demais, ou estava ficando maluca...
De repente, Dani se levantou e caminhou até o banheiro. Mel viu a loira se levantar e ir atrás dela, e se assustou ao perceber que isso a incomodava.

Dani não conseguia evitar que seus olhos toda hora buscassem os de Mel... E percebeu que toda vez que a olhava, os olhos de Mel também estavam buscando os seus...
Aquela troca de olhares era a coisa mais louca, totalmente sem sentido... Só podia estar bêbada.
Levantou para ir ao banheiro, disposta a passar um pouco de água no rosto. Nem percebeu quando Fabiana a seguiu.

Bia comentou com Raq:
- Aquela é a Fabiana?
Com uma cara estranha, Raq fez que sim.
- O que ela tá fazendo aqui?
- Deve ter vindo atrás da Dani. A mulher é louca por ela!
Deca sugeriu:
- Amor, não é melhor você ir ver se a Dani tá bem?
- Depois do que eu vi da última vez que eu fui atrás dela num banheiro eu não entro lá nem morta!
Todos riram... Mel começou a sentir uma inquietação por dentro... Pediu uma coca-cola. Isso, com certeza, daria jeito... Mas Deca continuou:
- A Dani precisa deixar de ser tão galinha...
Raq defendeu a amiga:
- Que maldade, amor! Ela não tem culpa das mulheres correrem atrás dela...
- É verdade, elas se jogam! - completou Bia, e todos riram.
Com uma raiva enorme, sabe-se lá por que, Mel quase gritou:
- Que exagero! Ela nem é tão bonita assim!
Ao que Bia imediatamente respondeu:
- Não é uma questão de beleza, baby... É uma questão de ter aquilo que os franceses chamam de "quelque chose"... E isso, meu amor, indiscutivelmente, ela tem de sobra!
Mel bebeu a coca-cola toda porque... estava tão bêbada que concordava em gênero, número e grau...

Assim que Dani abriu a torneira da pia, Fabiana entrou no banheiro. Não teve tempo de dizer nada, porque a loira simplesmente a atacou. Grudou Dani na parede, beijando-a e enfiando as mãos por dentro do vestido dela.
Dani teve que fazer um esforço enorme para conseguir se soltar, porque a mulher parecia fora de si.
- Tá louca?
- Tô louca sim, muito louca por você, gostosa!
E dizendo isso, a agarrou de novo, passando as mãos pelo corpo de Dani inteiro, parecendo um polvo.
Ao sentir a boca da outra em seu pescoço, num chupão que com certeza ia deixar marca, a raiva de Dani foi tão grande que empurrou Fabiana no chão. Nem ajudou a loira a se levantar. Saiu do banheiro xingando, com a mão no pescoço dolorido.

Assim que Dani se aproximou da mesa Mel viu o vermelhão no pescoço dela. Era grande o bastante para que todos reparassem:
- Nossa, Dani! Você já viu o seu pescoço?
Dani sentou, irritadíssima. Disfarçadamente olhou para Mel, mas ela não a estava mais olhando. Pelo contrário, parecia querer evitar que os olhos encontrassem os de Dani novamente.
Teve uma estranha necessidade de explicar:
- A maluca me agarrou no banheiro. Me atacou, mesmo! Tive que jogar ela no chão pra me livrar!
Todos riram, menos Mel, que se virou e puxou assunto com o primo e o namorado. Do canto onde estava sentada, Fabiana mantinha os olhos fixos em Dani. Exasperada, ela sugeriu:
- Vamos embora?

A volta não foi das mais animadas. Enquanto PH e João se atracavam no banco de trás, Mel manteve a cara fechada. Ligou o rádio, e por coincidência estava tocando "Happy Together", do The Turtles, a mesma música do filme que tinham assistido de tarde.
Mel fez menção de mudar de estação, mas Dani a impediu, tocando de leve na mão dela. Mel estremeceu e tirou a mão bruscamente.
Dani deu de ombros e pediu, com o jeitinho magnético de sempre:
- Não muda... Adoro essa música...
- Jura? Eu nunca ia imaginar... Não seria romântica demais pra você?
Foi a resposta sarcástica dela. Mas deixou a música tocar até o fim.

Capítulo 5 - Brincando com Fogo



O último dia do ano foi muito quente e abafado. Passaram o dia inteiro na piscina bebendo cerveja e tentando conversar. Tentando, porque graças às farpas, alfinetadas e palavras sarcásticas trocadas por Dani e Mel isso se tornava muito difícil.
Jantaram um lombinho com arroz à grega maravilhoso que Deca e Raq tinham preparado. Isso sem falar da magnífica torta alemã de sobremesa. Até Dani foi obrigada a concordar com Mel:
- Meninas, vocês se superaram!
Continuaram bebendo e, por volta das onze e meia, ninguém mais aguentava a implicância das duas. Dessa vez a briga tinha começado com Mel afirmando que Nova York era o melhor lugar do mundo. Dani, é lógico, discordava. Para ela Paris e Amsterdã eram incomparáveis.
PH e João se trancaram no quarto, Paulinha e Bia sumiram dentro de uma das redes e Deca e Raq se atracaram num sofá, deixando Dani e Mel discutindo sozinhas.
Quando o assunto terminou - para variar sem que chegassem à conclusão nenhuma-, as duas ficaram paradas em silêncio na varanda, olhando a chuva torrencial que tinha começado a cair. Só então se deram conta de que estavam a sós.
Dani se virou para Mel com um olhar que já tinha derrubado muita gente:
- Parece que agora somos eu e você...
Mel achou que Dani só podia estar brincando. Que papo furado era aquele? Respondeu mal humorada, irritada, exasperada mesmo:
- Infelizmente.
- Sinceramente? O que foi que eu te fiz?
- Além de existir?
Aquilo foi demais para Dani. Não ia romper o ano brigando com Mel. Não mesmo. Foi se afastando da casa, sentindo a alma lavada.
Mel ficou olhando Dani se afastar na chuva, com um ódio crescente. Num impulso foi atrás dela, o salto fino afundando na terra molhada, fazendo-a avançar com dificuldade.
Dani viu Mel se aproximando. Molhado, o vestido branco tinha grudado, revelando todos os detalhes do corpo dela. Uma forte pontada de desejo a fez estremecer.
A fúria que Mel sentia a deixava cega. Mas não a ponto de não ver que a roupa de Dani estava totalmente transparente. O que sentiu foi tão forte que tropeçou, e teria caído se não tivesse se segurado em... Dani.
Apesar da chuva torrencial, um calor intenso explodiu entre as duas, como a erupção de um vulcão adormecido por muito tempo. Eram da mesma altura, e podiam sentir no rosto o hálito quente uma da outra... Mas Dani não ia perder a oportunidade de provocar:
- Não basta ficar me perseguindo, vai ficar me agarrando também?
Mel abriu e fechou a boca várias vezes antes de conseguir responder:
- Você até pode se achar irresistível, mas não é!
Dani deu um riso gostoso, rouco, íntimo, antes de dizer:
- Confessa que tá louca por mim!
Mel não sabia o que a fazia tremer mais, o frio ou a verdade nas palavras dela:
- Você... Você sabe ser cretina!
A voz de Dani se tornou absolutamente sedutora:
- Sei ser o que você quiser...
E antes que Mel pudesse dizer ou fazer qualquer coisa, Dani a segurou pela cintura e mergulhou os lábios nos dela.
Bem que Mel tentou resistir, mas aquela boca era tentadora demais... Experiente demais... Gostosa demais... E a venceu com uma facilidade humilhante. Com a respiração alterada e o coração dando pulos no peito, passou os braços ao redor do pescoço de Dani, e correspondeu da mesma forma devastadora e derradeira.
Então foi loucura, uma explosão irrefreável, como subir à tona e respirar novamente, como se existir dependesse única e exclusivamente das línguas e bocas que naquele momento se exploravam.
Os primeiros fogos explodiram no céu, anunciando que o ano tinha virado...
Mas elas nem perceberam. Foram as vozes vindas da casa que finalmente as trouxeram de volta à razão.
Paradas ali, no meio do temporal, completamente ensopadas pela chuva que continuava implacável, as duas se encararam em silêncio.
Dani tinha um sorriso vitorioso nos lábios. Mel olhou bem dentro dos olhos dela e retribuiu... Com uma forte bofetada.

Capítulo 6 - Pensamentos Secretos



Dani nunca tinha sido esbofeteada antes. Não de verdade. Só no teatro, onde era tudo combinado para que o tapa fizesse apenas o rosto dela se virar e então depois, lentamente, ela o voltava novamente para frente, causando na platéia o resultado desejado.
Mas Mel a acertou com tanta força que seu corpo todo se desequilibrou e ela quase caiu. Literalmente "catou cavaco", como se diz. Quando se recompôs, Mel já tinha voltado para a casa.
Dani ficou ali parada, com a mão no rosto, em parte porque estava doendo, em parte porque Mel a tinha deixado total e surpreendentemente excitada...
Ela a tinha beijado e estapeado com fúria, fazendo Dani perceber que por trás daquela aparência de brisa morna existia um verdadeiro vendaval.
Sorriu, pensando milhares de besteiras. Desejando descobrir se o que imaginava era verdadeiro. Querendo desvendar todos os mistérios daquela mulher, provar seu corpo inteiro, acabar de vez com aquele estranho tormento.
Assustou-se com a intensidade desses pensamentos. Ela a estava enlouquecendo. Aliás, como sempre. Só que dessa vez, de uma forma bem diferente. Nem a chuva conseguia apagar o incêndio que aquele tapa na cara tinha provocado.
Respirando fundo, Dani caminhou em direção à casa.
Assim que entrou na sala, Mel foi abraçada pelo primo:
- Feliz Ano Novo, Melzinha!
Abraçou o resto das pessoas e foi correndo para o quarto. Queria mudar de roupa antes que Dani voltasse, precisava colocar os pensamentos em ordem.
Estava apavorada com as sensações desconhecidas que aquela mulher conseguia arrancar dela.
O beijo que trocaram - ou seria melhor dizer, com que se devoraram? - tinha sido de uma entrega desmedida, uma fome que exigia ser saciada sem pudor, uma quase dor que a deixava fraca e entorpecida... Mel nunca tinha experimentado um beijo assim. Tinha se deixado levar pelos encantos dela.
Sim, porque não tinha como negar, estava totalmente encantada, enfeitiçada, seduzida por aquela mulher...
Tirou o vestido e pegou uma toalha para se enxugar. Foi nesse exato momento que Dani entrou no quarto.